Ruinas Cotidianas

OPINIÃO

Posted in Sem categoria by Lilian Buzzetto on 21/06/2010

Jornalista esportivo é a pior raça de empregado que existe. Para mim, na maioria dos casos, o cara que escolhe esse nicho informativo não tem habilidade para ser atleta, nem inteligência para falar de política ou economia.

Ainda assim, esses refugos da humanidade conseguem um trabalho – porque embora lhes falte corpo e mente para produzir algo que preste, sobra-lhes sorte. Aproveitando-se do fato de que a maioria dos trabalhadores precisa desligar, descansar e torcer da forma mais primitiva para dar uma acalmada nos instintos de luta inerentes à raça, tais desinfelizes ganham salários astronômicos para nos trazer dados que nos ajudem a brincar de boçal.  A humanidade inteira trabalha E faz por lazer o que este tipo de peão faz, mas o jornalista esportivo – que tem que só metade para cumprir – não consegue realizar nem sua parte direito.

Alguns deles deram para se considerar Deuses – o que é facilmente explicável pelo cérebro do tamanho de uma noz que eles têm. Essas amebas confundem o fato de que o esporte e o lazer são importantes para a nossa vida e acham que os essenciais são eles. Como sou uma pessoa boa e didática, farei um tutorial para ver se ajudo tais cidadãos a entender alguma coisa. [Prometo escrever pouco e em parágrafos pequenos, com palavras curtas e letras grandes – de forma a facilitar a compreensão].

1)      Você não é pago para TORCER na mídia. Você, jornalista, é pago para informar e relatar. Seu papel é semelhante ao de uma tia fofoqueira. Seu único mérito é estar em um canto próximo à competição. Você deve funcionar como olhos e ouvidos para mim, não como cérebro – até porque, apesar da presença dos polegares opositores, duvido que você tenha um encéfalo altamente desenvolvido.

2)      Se o homem que opera a câmera e o corpo técnico trabalharem direitinho, você se torna totalmente desnecessário. Até porque, qualquer idiota é capaz de ficar na dúvida sobre se foi ou não pênalti e reconhecer um impedimento mal marcado com aquela linhazinha gerada eletronicamente.

3)      Seu programa ou espaço no jornal não é palanque. Embora você tenha todo direito de expressar sua opinião, neste país que não é a Coréia do Norte, isso não é prerrogativa do seu cargo de jornalista, sua besta. TODO brasileiro tem esse direito e – novamente – não é para isso que você é pago. Quer opinar? Crie um blog ou twitter e poste o que você pensa, se é que você pensa, em seu horário de folga.

4)      Meu rádio, jornal ou TV não são divãs para você destrinchar suas mágoas e aflições. Eu estou pouco me lixando para o que você sente, afinal você não é meu amigo nem família.  Não transforme seu espaço na mídia em terapia por vídeo-conferência. Se precisar, conheço uma ótima psicóloga disposta a escutar o choro de suas pitangas, mas isso vai custar aproximadamente R$ 150/h [de 50 minutos].

5)      Não menos importante, este seu empreguinho aí só existe enquanto alguém estiver do outro lado para ler ou ouvir. Guarde no fundo da mente que EU não estou “comprando” sua opinião pronta. EU quero informação. Se você não for capaz de fabricar isso, tem um monte de gente que consegue – inclusive, o dono do boteco que só tem até a 4ª série.

6)      E lembre-se [ou escreva num post-it e cole no computador para não gastar seus parcos neurônios]: você não é o responsável pelo nosso lazer – quem produz o entretenimento são os atletas. Aliás, sua classe não é capaz de produzir nada e vocês devem se resignar ao insignificante papel de repetidores que lhes cabe. Parem de tentar chamar atenção, porque – como disse no começo do texto – vocês foram selecionados por serem os menos dotados de habilidade, competência e inteligência. Fiquem longe dos holofotes para não passar vergonha.

Se você é um jornalista esportivo e conseguiu ler todos estes caracteres, reflita um pouco sobre sua função na sociedade. Se ajudar a criar um clima de familiaridade por sua infância, pode ir pensar sentado no cantinho vestindo as orelhas de burro – ninguém aqui vai te julgar por isso.

** 95% dos jornalistas esportivos dão fama de burros aos 5% restantes. Se você faz parte dos 5% releve. O texto não foi para você.

Lá ia eu.

Posted in Lílian by Lilian Buzzetto on 03/04/2010

(6:30) Abro a janela e vejo um lindo dia ensolarado. Céu azul, brisa suave, o mar. Após um delicioso banho, sento-me para meu relaxante ritual matinal com café, cigarro e jornal de papel. Nem as desgraças e restrições que leio abalam meu bom humor. Bom dia, mundo!

(7:00) No elevador, encontro com velhinhos simpáticos que me cumprimentam com a paz de espírito dos aposentados – um bálsamo para a alma. Um bom dia sorridente para os porteiros, música animada no carro, cabelos molhados ao vento e lá vou eu, conquistar o mundo.

(7:05) – Viro a esquina e me deparo com um farol vermelho impedindo minha conquista. Acendo um cigarro. Aqui, há um semáforo a cada 100 metros e todos estão sincronizados para que você não perca nenhum – fechado, claro. Trago. Solto. Trago. Solto. Farol verde. Trago. Solto… Demora um pouco para os carros se moverem. Os velhinhos têm reflexos mais lentos. Trago. Solto… Farol amarelo. Corro e passo.

Paro de correr. O limite de velocidade é 50 km/h. Acho que uma cidade a 50 km/h não vai longe. E nem você nela. Aliás, por aqui, não vai mesmo – meus velhinhos dirigem a trinta, mirando o meio do carro na faixa pontilhada. Com toda paciência, lá vou eu para fora da cidade.

(7:30) Estrada a 110 km/h. Cabelos semi-secos ao vento, música alta, solzinho gostoso e uma decisão pela frente: “Imigrantes ou Anchieta?” Fácil: Imigrantes. Pela Anchieta vão os caminhões, certo? Errado. A Ecovias vive obrando (no sentido caipira do termo) nas rodovias, então, todo mundo vai junto, independente do número de eixos. Duas faixas com caminhões quase parados. Mas, acendo um cigarro e lá vou eu pela faixa que sobra.

… Lá vou eu até que um caminhão decida ultrapassar o outro – pela minha faixa. Esquece o espaço veloz só com carros. A 15 km/h, outro cigarro e muitas saudades dos velhinhos, começo a contagem regressiva com os túneis – T12, T11, T10…  T1.

(8:00) Fim de Serra. Muitas faixas disponíveis, 120 km/h. O letreiro luminoso diz “Chegada a São Paulo – Tráfego Normal”. Cabelos secos ao vento e cantoria em voz alta. Meu coração se enche de alegria. Lá vou eu chegar no horário. Eu acredito. Eu posso. Eu consigo.

(8:15) Idiota. Idiota. Idiota. Tráfego normal em São Paulo quer dizer trânsito parado. Não consigo mais entender a alegria daquela moça se esgoelando no meu ouvido. Passo para Rádio Bandeirantes e ouço as mesmas tragédias e neuras do meu jornal. Lá vou eu, fumando de novo, para esse mundo violento e chato que não tem mais jeito.

(8:30) Entrada na Bandeirantes. Quem está na faixa da esquerda, quer sair pela direita e vice-versa. Quem foi o engenheiro que achou inteligente obrigar o trânsito a fazer um X nos viadutos? Quem deu um diploma para essa besta? Acenos, pedidos, fechadas. Não ouço mais o rádio – só o tic tic da seta. Após um esforço sobre humano, chego do lado certo da pista. E lá vou eu, reclusa na faixa porque os motoqueiros criam uma parede nos corredores.

Bi bi bi bi biiiiiii. Ai, que vontade de enfiar aquela buzininha no cu de um.

Pronto, falei o primeiro palavrão do dia.

(8:45) A Bandeirantes anuncia que avenida homônima está com 8 km congestionamento – do Viaduto Aliomar Baleeiro até o Viaduto Via Armênia. Porra, não era mais fácil falar que a merda da Avenida está TODA parada? E esse sol maldito? Estou cozinhando. Os cachorros vão começar a me olhar pelo vidro do carro como se eu fosse um frango de padaria. Cadê o cigarro?

(9:00) Quinze minutos e três quilômetros depois, embaixo do aeroporto, não consigo escutar o rádio, mas era algo sobre São Paulo conquistando alguma coisa… Ah, outro recorde de congestionamento.

(9:10) Compro uma água do ambulante, enquanto um babaca no rádio fala que a ANVISA está preocupada com o comércio irregular de alimentos e bebidas nas ruas. Querem que eu morra desidratada? Ofendo o rádio. Lá vão vocês para puta que pariu.

Rastejo até a Marginal Pinheiros que está congestionada da ponte da Casa do Caralho até a ponte da PQP (Tenho certeza que esses foram os termos empregados pelo rádio) E me deparo com um faixa que diz: “Respeite o ciclista”. Eu não respeito mais nada nem ninguém, fui clara? Ligo pro chefe, chorando.

(9:35) Estaciono: suada, descabelada, amarrotada e com a certeza de que “deixar o cabelo secando ao vento” foi uma péssima idéia. Quem me der bom dia perde os dentinhos da frente. Juro.

Estou exausta. [Mais um cigarro.]

Pelo menos, o transtorno acabou.

Posso descansar agora? Não, agora eu começo a trabalhar. Lá vou eu me foder o dia inteiro.

Alguém precisa de mais alguma explicação para meu mau-humor? Tomara que chova granito (isso mesmo) e acabe com o mundo. Grata.

Por que mais um blog

Posted in Juntos! by Lilian Buzzetto on 25/03/2010

Por que mais um Blog?

Tanta gente na internet escreve tanto sobre tudo. Zilhões de diários virtuais e espaços pseudo-informativos – compostos, basicamente, daquilo que meu e-mail chama de spam. O mundo virtual está saturado de gente falando, compartilhado, refletindo, contando piada e querendo aparecer. E, com orgulho, somos parte disso.

Apresentando: Lílian Buzzetto

Não posso falar em nome de todos. Mas no meu caso, há uma explicação muito simples para essa “virutualidade”: O mundo lá fora é um pé no meu saco imaginário. Sair de casa é complicado: não posso fumar, não posso beber e dirigir, nem conversar em calçadas após as vinte e duas. O planeta é caro, grosseiro e tem filas. Muitas filas e trânsito – e eu não sou um poço de paciência.

E tenho comparação porque já fui sociável. Saía, ia e vinha – e, definitivamente, não entendo por que me submeti a algumas coisas. Baladas, por exemplo. Quero um motivo racional, um só, para pagar seis reais em uma cerveja, conseguida aos gritos enquanto sou espremida contra um balcão. Se eu gostasse de ser encoxada involuntariamente freqüentaria o trem da CPTM por prazer. E não me lembro de ter feito nas baladas amizades mais significativas do que no trem – pelo menos, em transportes coletivos, as pessoas se escutam e não estão tão bêbadas.

Nas relações pessoais, o mundo informatizado é uma benção mal- humorados anti-sociais. Definitivamente, não sei mais me relacionar com pessoas que não tem um [x] do lado superior direito. Não suporto a impossibilidade de fechar as pessoas. Falha de engenharia divina não ser possível bloquear pessoas ao vivo. E falha ainda maior eu não poder ficar invisível como no MSN. O Twitter, para mim, beira a perfeição: digito e largo – sem necessidade de estabelecer grandes diálogos infrutíferos. E 140 caracteres são mais do que suficientes – e um bom treinamento para pessoas prolixas, como eu.

Sei que pode parecer deprimente, mas não. Estou mais feliz nesse mundinho estéril. Já sou obrigada a conviver com pessoas de carne e osso para pagar as contas e tenho alguns amigos seletos para não me esquecer como é um ser humano. E, ao longo do tempo, ficará claro que é melhor eu ficar em casa. Em geral, quando saio, algo bizarro acontece – tenho a impressão que meu anjo da guarda é Murphy.

Apresentando: Dauri Eiras

A ideia de montar um blog, antes de mais nada, é fruto de mera intervenção divina. Explico: jamais cogitei a hipótese de ter um!! Desenvolvi o hábito de apurrinhar meus amigos escrevendo longos textos e enviando a toda minha lista de contatos por e-mail. Muitos gostavam, comentavam, alguns poucos elogiavam…outros tantos não expressavam reação, provavelmente boa parte sequer lia. E, obviamente, sempre tem a categoria dos sem-graça que respondem “nossa cara, vai trabalhar”, “tá sobrando tempo”, “are you fucking crazy?” e coisas assim. De qualquer modo, escrevo despretensiosamente. Por gosto, prazer, hobby. Tenho o hábito de ler e escrever bastante desde pequeno e nisto o mérito é todo de minha mãe, Diretora de escola, que sempre incentivou não só este, como outros costumes saudáveis que acabaram tornando-se bons diferenciais na vida adulta.

Só pensei em ter um blog quando por curiosidade fui ler um texto postado por minha “sócia” na empreitada. Recebi um daqueles pseudo-spams disparados pelo Orkut divulgando, cliquei no link pra dar uma olhada do que se tratava => A-D-O-R-E-I. Fiz questão de manifestar minha opinião. Dali, iniciou-se um bate-papo, comentei que também escrevia umas baboseiras, enviei um texto antigo que tinha guardado na caixa de e-mails, trocamos algumas opiniões e constatamos que nosso estilo era absolutamente idêntico. A identificação foi tão grande que passou a empolgação e, rapidamente, surgiu a ideia de termos juntos um espaço para publicar nossos textos. Nascia, então, o Ruínas Cotidianas.

O blog não tem um objetivo maior que ser apenas um espaço para postar alguns textos, manter o hábito de escrever e, é claro, dentro do estilo característico dos dois “proprietários”, encarar de uma forma irônica, sarcástica, bem-humorada, todos os problemas comuns em nosso dia-a-dia. Não há um assunto específico, um tema central, qualquer coisa pode gerar um texto novo. Não estamos preocupados em ser politicamente corretos (ai, como odeio este termo ridículo) nem tampouco polêmicos. Apenas em exercitar este gostoso hábito e, quem sabe, com isso entreter alguns amigos que apreciem.